domingo, 1 de dezembro de 2013

Acertando as contas com o passado- Parte I

Ah as redes sociais...
Vamos falar a verdade, como seria possível ir tão fundo no nosso passado se não fossem as redes sociais?
De que outra forma conseguiríamos retomar contato ou simplesmente ter notícias fuxicando o perfil de pessoas que passaram pela nossa vida ao longo de tantos anos? Amigos de infância, ex-amores...
Não seria possível. Não mesmo.
E graças ao Facebook eu consegui acertar contas com o meu passado. Consegui colocar pontos finais em situações mal resolvidas e consegui ter certeza de uma coisa da qual eu apenas desconfiava:
Tudo acontece como deve ser.
Eu tinha 19 anos quando ficamos pela primeira vez. Já o conhecia do colégio e dos grupos de amigos, embora nunca tivéssemos conversado antes.
Foi paixão fulminante já no primeiro beijo.
Que entrosamento! Tudo se encaixava com perfeição, parecíamos feitos um para o outro. Lindo, engraçado, sensível, sincero, bom de pegada...Perfeito!
Defeito? Tinha, claro. Todo mundo tem.
Ele era digamos...escorregadio.
Sabe aquela pessoa que a cada hora quem uma coisa e você não consegue mantê-la focada em nada? Ele era assim.
Sempre vago em suas colocações, olhar sempre ao longe...eu sabia que aquela felicidade toda tinha data de validade. Eu só queria aproveitar cada segundo restante. E assim fiz.
Um dia na escola chega a notícia:
-Você ficou sabendo? Fulano foi embora.
- Embora para onde?
- Para fora do Brasil.
Boston. Eu sabia. Ele já havia falado sobre isso, com aquele mesmo olhar vago de sempre...
Eu odiei esse lugar durante anos da minha vida. Não podia ouvir falar.
Eu amei, odiei, chorei e pensei nele também durante anos da minha vida. Mesmo após ter casado e tido minhas filhas. Por que mentir? Assuntos mal resolvidos são assim. Nos assombram.
Não acabou. Não teve fim.
Ficamos na noite anterior, conversamos, rimos, nos abraçamos, nos beijamos, nos despedimos como sempre, com um "até amanhã". Não teve amanhã.
Mas recentemente no facebook, de amigo em amigo...quem me aparece na lista de " pessoas que talvez você conheça"? Ele.
Continua lindo!
Olhei todas as fotos e pensei muito durante semanas se deveria fazer contato ou não. Será que ele se lembraria de mim?
Mas numa TPM qualquer, liguei o foda-se e mandei uma mensagem.
" Oi! Lembra de mim?"
Pronto. Esse foi o começo do fim, finalmente!
Mensagens, e-mails, pedidos de perdão, declarações que eu nunca havia ouvido pessoalmente. Que pena...
Sim, ele havia sido muito apaixonado por mim. E também sentiu durante anos a minha falta.
O motivo de ter ido embora?
Depressão por conta da morte do pai ( que havia acontecido pouco antes de começarmos a ficar), mas que eu não soube na época porque ele não conseguia falar sobre o assunto. E também o começo de um envolvimento com drogas do qual ele quis fugir.
Morou durante anos fora do Brasil e voltou há 5 anos. Teve uma filha lá, e a namorada atual está grávida.
Eles não vivem bem. Brigam muito e o motivo adivinhem qual é?
O mesmo jeitão vago de sempre.
Ele não mudou. Ainda hoje não sabe o que quer. A cada hora quer uma coisa e isso a deixa muito insegura , principalmente com um bebê a caminho.
Ele me perguntou se eu o acho estranho e eu disse que sim, que sempre achei. Foi conversa para mais de hora!
Até na escrita ele é vago. Inconsistente.
Eu preciso fazer perguntas bem diretas e específicas para conseguir uma resposta coerente.
Temos conversado muito e posso dizer que nos tornamos bons amigos.
Depois disso não chorei mais, não pensei mais, o buraco que eu sentia no peito foi enfim preenchido pelas respostas que eu procurava.
E hoje, vejam que ironia, eu estou ajudando-o a se encontrar, a se conhecer melhor, e o orientando na maneira de lidar com a namorada grávida e insegura. E faço isso dando graças a Deus por essa moça não ser eu.
Jamais conseguiria viver assim. Sem ter ideia do que esperar do outro.
De correr o risco de um dia acordar e encontrar um bilhete dizendo:
" Fui conhecer o mundo, volto um dia."
Ele não tem as emoções estáveis. Uma hora quer, depois não quer mais, é precipitado em suas atitudes, é...escorregadio. Um sabonete molhado. Impossível segurar.
Pra mim não dá... Não teria dado certo. O destino não foi cruel separando almas gêmeas como eu havia pensado.
Estou feliz por ter tirado essa dúvida. Teria morrido com ela se não fosse o bendito Facebook...
Maaas, a vida segue né? E embora profundamente ferida pela ausência dele, eu, adolescente que era na época, tratei se seguir em frente e outras paixões surgiram.
Também reencontrei todas elas.
Aguardem os próximos capítulos! rs

6 comentários:

  1. Então foi bom ter essa oportunidade.

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  2. Linda, Linda... Quanta coragem!! rs Digo quanta coragem porque antes do meu marido eu tive um cara na minha vida que era O CARA. (Digo no passado porque o meu marido foi um divisor de águas, é um amor que foi dado de presente por Deus... heheheh) Pois bem, depois desse CARA, eu ainda tentei me relacionar com outras pessoas e quando estava tudo se encaminhando com outra pessoa, eu fantasiava sobre a história até então mal resolvida com o ex e lá se ia todo novo relacionamento por água abaixo... Uma novela, amiga!!! Como mantínhamos contato (eu e o CARA), volta e meia conversávamos e o assunto do nosso relacionamento vinha à baila. Aquilo me balançava demais; outras vezes eu bancava a sensata confidente dele e ele de alguma forma deixava a entender que tinha se arrependido de ter saído da minha vida. Nossa. Eu nunca conseguia ir adiante com meus novos relacionamentos presa à este camarada sobre o qual falo. Ser amiga de alguém que nos foi mal resolvido requer coragem pois à qualquer momento sabe-se-lá-o-quê pode vir à tona. Hoje em dia, me sinto segura, madura para lidar com esse ex (do qual não poderei me livrar de todo por circunstâncias que falarei outro dia) mas é diferente: primeiro porque, como você, dou Graças a Deus por não ser a atual dele e segundo porque hoje vejo que a história foi mal resolvida não por um "destino cruel que separou almas gêmeas" mas sim porque "Deus é fiel e separou almas totalmente distintas". Na época, eu jamais entenderia. Hoje, Quase 7 anos depois, compreendo cada vírgula em descompasso daquela história maluca. Não foi o destino. Foi Deus mesmo. :) Um beeeeeeeeijo

    Ps: Vou querer fotos da sua unha! Será um prazer!! Pode mandar para o meu email: marianacrmello@yahoo.com.br

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  3. me identifiquei com o moço..kkkkkk.. de tanto meus ex falarem.. acho que sou mesmo escorregadia..rs.. uma hora ta bom.. e enqto ta bom eu fico.. qdo não ta.. eu sumo..rs.. tenho prazo de validade.. não sou boa com relacionamentos..rs.. bjokas lindeza.. ótima semana

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  4. Aaaahhh as redes sociais... Tenho uma relação de amor/ódio com elas, simplesmente abandonei o Face várias vezes... mantenho contato com as pessoas por outros meios menos desgastantes para mim. Um dia eu conto os problemas que testemunhei e minha visão desse planeta Facebook. MASSSSSSSS vc falou da única coisa que vale nessas redes: encontrar pessoas, ter a chance de retomar contato, de resolver algumas "pendências", e que maravilhosa sua elaboração sobre esse homem que "teria sido", nada como um dado de realidade para situar a gente, né?
    E a Mariana tem razão, vc foi muito corajosa! Falando nisso eu não consigo acessar o blog da Mariana há temposssssssssssssssss, viu, Mariana?

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